Raiz exposta já afeta a saúde bucal de metade dos adultos

28/04/2016 às 13:08:04

Raiz exposta já afeta a saúde bucal de metade dos adultos

Raiz exposta já afeta a saúde bucal de metade dos adultos

Uma observação mais detalhada diante do espelho enquanto fazia a sua rotineira higiene bucal levou o funcionário público Vinícius Gonçalves, 27, a descobrir que as raízes expostas de alguns dentes o colocavam diante da retração gengival, um problema que chega a afetar metade da população brasileira adulta. “Eu olhei no espelho e vi que a raiz estava começando a aparecer e aquilo me incomodou bastante”, lembra.

A hipersensibilidade ao quente, frio, ácido e doce, costuma ser um dos principais sintomas do trauma, que acontece quando o tecido da gengiva retrai expondo a raiz do dente – a “dentina” –, levando ao sangramento durante a escovação, mau hálito e até a sensação de que os dentes estão moles.

O problema é gradativo e desencadeado por causas distintas, que vão desde a escovação inadequada (força exagerada) ou com escovas duras, bruxismo, inflamações e infecções na gengiva, doenças periodontais (gengivite, por exemplo), o avanço da idade e até fatores genéticos, segundo o especialista em implantodontia e odontologia estética Paulo Coelho Andrade. 

 

Os dentes que costumam ser os mais afetados são os caninos. “Por causa do ângulo que ele está na região da boca, o canino é sempre o mais projetado, então, a escova passa mais vezes por ele do que nos outros dentes. Depois dos caninos, a região dos pré-molares e molares são acometidas com maior frequência”, afirma.

Por isso, o primeiro passo para o correto diagnóstico e posterior tratamento é ficar atento durante a escovação. O esmalte tem uma coloração mais clara e quando vai chegando próximo a raiz a cor fica mais amarelada. Essa diferenciação já é um indicativo do problema. “Outro fator que os pacientes costumam observar é o ‘alongamento’ dos dentes. Eles também relatam a dor em contato com alimento frio ou quente, mas em alguns casos o problema chega de forma silenciosa”, diz Andrade.

Riscos. A grande preocupação da retração gengival está justamente na raiz desprotegida, cuja região é mais sensível, com terminações nervosas que, ao ficarem expostas, provocam incômodo. Uma vez “visível”, já houve o dano e é preciso corrigi-lo, ou o problema pode desencadear consequências mais sérias.

“A raiz é porosa e pode ser fonte de agregação de bactérias. Além disso, a dentina é frágil e macia e, ao ser desgastada, a escovação ou alimentos ácidos vão corroendo e formando uma pequena ‘cratera’ que pode chegar perto do nervo e gerar outro problema, o canal”, afirma Andrade. Em muitos casos, se o problema não é tratado, o paciente pode sofrer de perda óssea e, consequentemente, perda de dentes.

Fator de risco

Bruxismo. O ato de se apertar ou ranger os dentes inconscientemente à noite e/ou durante o dia pode danificar não só os músculos envolvidos na mastigação, mas também pode levar à retração da gengiva.

Conheça outros causadores da sensibilidade dentária
De onde vem essa dor?


Má higiene. Restos de comida dão brecha a bactérias por trás de erosão dentária e cáries. A gengiva inflama e passa a se retrair – e aí o dente fica exposto.

Dieta ácida. Frutas cítricas demais, açúcar e refrigerantes, por exemplo, alteram o pH bucal, favorecendo a erosão dentária que provoca aquela dorzinha chata. Para evitar que o esmalte que protege os dentes seja danificado, procure fazer a escovação imediatamente após consumir esses alimentos.

Dente quebrado. Uma rachadura ou um buraco de uma obturação que caiu são o suficiente para expor a dentina e provocar dor. Faça visitas periódicas ao seu dentista de confiança

Escovação bruta. Mão pesada na hora da limpeza bucal faz a gengiva se retrair em busca de proteção, deixando a dentina desguarnecida. Escovas com cerdas macias ou extra macias são as mais indicadas.

Erros na escovação comprometem saúde bucal

O funcionário público Vinícius Gonçalves reconhece que a sua escovação não estava sendo feita de forma correta, hábito esse que ele mudou completamente após o problema da retração gengival.
“Escovava de forma errada e forte, usava escova com cerdas muito duras e não observava muito essas questões. Hoje já faço a escovação com movimentos mais circulares e de forma mais leve, conforme orientado pelos dentista”, diz.

Além dos erros na hora da escovação, o especialista em implantodontia e odontologia estética Paulo Coelho Andrade também critica os tratamentos caseiros adotados pelos pacientes para tratar todos os tipos de problemas, inclusive a retração gengival. “O uso de fórmulas caseiras devem ser evitadas ao máximo”, reforça o dentista. 

Enxerto e facetas são as opções usadas

Após o diagnóstico ser confirmado por um profissional da área, o paciente tem à disposição atualmente dois tipos de tratamentos: uma cirurgia para enxerto de gengiva, ou o facetamento, que são pequenas capas de porcelana, cerômeros ou resinas.

No caso da cirurgia, é possível usar o enxerto sintético ou o tecido retirado do palato – melhor área doadora de gengiva – e em seguida, transferido para a região da perda gengival, conforme explica o dentista Paulo Coelho. O pós operatório, no entanto, é mais delicado, envolve repouso para evitar a rejeição do tecido na região danificada, e pode durar até 15 dias.

“É um procedimento doloroso, mas que é feito todo no mesmo dia. Por causa dos pontos, precisei ficar uns dez dias sem mastigar nada duro, somente à base de alimentação pastosa e de preferência gelada, além da medicação”, conta o funcionário público Vinícius Gonçalves.

Por causa desses inconvenientes, o dentista diz que o procedimento que vem sendo mais adotado são as facetas – um método alemão também conhecido como “lentes de contato” para dentes. “Hoje em dia as pessoas procuram mais esse tipo de tratamento porque tem uma dupla função. Não só corrige a retração gengival (e outros problemas), ‘tampando’ a área exposta, como melhora esteticamente o aspecto do dente”, afirma Coelho.

Segundo o especialista, a técnica recria totalmente a cor e a forma dos dentes por meio de pequenas capas que são coladas na face externa de um ou vários dentes. Porém, se a retração gengival já levou a perda óssea, e a consequente perda do dente, aí a única solução seria o implante.

Conteúdo retirado do site: 

http://www.otempo.com.br/interessa/raiz-exposta-j%C3%A1-afeta-a-sa%C3%BAde-bucal-de-metade-dos-adultos-1.1285637